Para a maioria dos brasileiros, o frevo existe durante quatro dias por ano. Para Mestre Salustiano — ou melhor, para os que carregam seu legado, já que o mestre faleceu em 2008 — o frevo é uma forma de vida que não tem calendário.

Na Escola de Frevo do Recife, fundada em 2007 como parte do processo que levaria ao reconhecimento do frevo como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco em 2012, aulas acontecem o ano todo. Crianças de seis anos aprendem os passos ao lado de adultos de sessenta. A fila de espera para as turmas gratuitas tem mais de duzentos nomes.

O que é o frevo, afinal

O frevo é simultaneamente música, dança e expressão cultural. A música, derivada da marcha e do maxixe, tem um andamento acelerado e uma estrutura harmônica complexa que desafia músicos experientes. A dança, com seus movimentos acrobáticos e o característico guarda-chuva colorido, exige anos de prática para ser executada com a fluidez que os pernambucanos chamam de "ginga".

Mas o frevo é também uma forma de resistência cultural. Nasceu nas ruas do Recife no final do século XIX, num contexto de tensão entre grupos de capoeiristas e bandas musicais rivais. Sua sobrevivência e florescimento ao longo de mais de um século é uma história de resiliência comunitária.

Os guardiões contemporâneos

Maestro Forró, como é conhecido o músico e educador Edilson Santos, dirige a Orquestra de Frevo do Recife há quinze anos. Para ele, o maior desafio não é a falta de interesse — as turmas estão sempre cheias — mas a sustentabilidade econômica dos músicos profissionais.

"O frevo está vivo, mas os frevistas passam dificuldade. Fora do carnaval, as oportunidades de trabalho são limitadas. Precisamos criar uma economia do frevo que funcione o ano todo", defende.